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EDUCAÇÃO - Estudantes se interessam cada vez mais por Medicina Humanista, mas ainda há atraso em relação à demanda

12/03/2020

Durante estágio, contato com pacientes – especialmente idosos – é considerado divisor de águas na vida de muitos jovens e evidencia falhas nas grades curriculares

 

Para oferecer atendimento de alta qualidade à crescente população de pacientes idosos, são necessários mais clínicos gerais, médicos de família e geriatras. Embora seja possível notar maior interesse dos jovens por estágios em Medicina Humanista, o engajamento dos universitários por esse tipo de carreira está bastante atrasado em relação à demanda – especialmente devido à falta de informação sobre a natureza do trabalho, remuneração e ainda sobre o impacto que a medicina centrada no paciente causa na vida dos idosos e no sistema de saúde. Na opinião do médico Pablo González Blasco, diretor-fundador da Sobramfa Educação Médica e Humanismo, não há como negar que a medicina está curando muito mais do que antes. Mas o percurso que a medicina tem seguido nestes últimos anos, enfatizando a técnica e negligenciando o lado humano, acarreta novos problemas.

“É urgente uma profunda reformulação da grade curricular nas faculdades de medicina, que possa equilibrar todos os avanços em termos de tecnologia de cura com maior aproximação entre médicos e pacientes. Em países com um nível de excelência no ensino de saúde, especialmente na Europa, várias medidas já vêm sendo tomadas para corrigir o problema. No Brasil, ainda sentimos que grande parte dos médicos se apresentam como ‘mecânicos de pessoas’, sendo muito mais suscetíveis a erros de cálculo. Quando o paciente percebe que o médico carece da dimensão humana, além de não se comprometer com o tratamento proposto, cobra reparação quando o profissional não atinge o resultado esperado. Por outro lado, quando se exerce a Medicina Humanista, o doente sabe que pode contar com seu médico. Ainda que o prognóstico não seja bom, este irá permanecer a seu lado, fazendo o seu melhor até o fim”, afirma Blasco.

Estudante do quarto ano de Medicina na Universidade de Salvador (Unifacs / Bahia), Itana Viana mostrou-se positivamente impactada depois do estágio intensivo que veio fazer recentemente em São Paulo. Filha de farmacêuticos e já formada em Farmácia naquele estado, a jovem está desenvolvendo um olhar crítico sobre ensinos da área de saúde e percebe o quanto a experiência de um estágio direcionado acrescenta em termos de aprendizado. Segundo a universitária, a experiência de confrontar tudo o que ela idealizava com a prática médica fez toda a diferença. “Foi muito importante atuar na enfermaria e acompanhar a evolução de diversos casos diferentes. Além disso, pude compreender e participar do raciocínio clínico até chegar a um diagnóstico e tratamento. Isso somado a uma abordagem humanista do paciente me fez ver que tudo pode ser conduzido da melhor forma possível, mesmo em situações críticas”.  

A estudante pôde comprovar, também, a importância de saber conversar com o paciente e seus familiares, aprendendo a ouvir e a usar as palavras adequadas para cada situação. “Já havia acompanhado um familiar em cuidados paliativos e pude ver, do ponto de vista profissional, o que pode ser feito para amenizar a dor de quem se depara com a finitude. Creio que todos os estudantes de medicina deveriam ter a oportunidade de presenciar a rotina de um médico para amadurecer a ideia do que realmente é a medicina. Ao acompanhar um médico humanista, me senti mais motivada a seguir meus objetivos e agora sei que estou no caminho certo”.

De acordo com Blasco, é comum os estudantes passarem por um “susto positivo”, uma transformação muito importante depois do estágio de uma ou duas semanas. Por isso acredita que é preciso encontrar elementos para uma estrutura curricular que possa aumentar o entusiasmo dos estudantes de medicina pelos cuidados de pacientes idosos. “A necessidade de educação médica adequada para idosos é evidente. Hoje, residentes e estudantes de medicina mostram atitudes contraditórias em relação ao atendimento a pacientes idosos, entre as quais a frustração com o sistema hospitalar – que valoriza mais a eficiência e a cura no curto prazo, em vez do atendimento individualizado. Os estagiários devem ser realmente inseridos no tratamento e acompanhamento multidisciplinar desses pacientes dentro e fora do hospital, ou seja, também nas clínicas e residenciais de idosos, para que não apenas se sintam desafiados pelos problemas complexos, mas também aprendam a lidar com essa complexidade e sintam o impacto de pequenas intervenções no funcionamento e na qualidade de vida do paciente”.

 

Mais sobre o Estágio em Medicina Humanista

 

O grande diferencial do estágio oferecido pela Sobramfa é permitir ao aluno vivenciar a rotina médica assim como é. “Todo estagiário tem um preceptor, um médico humanista experiente, a quem deve acompanhar durante cada atendimento realizado. Em uma ou duas semanas, o aluno terá acompanhado pelo menos dois preceptores, sendo capaz de absorver o melhor de cada experiência. Não se trata tão-somente de cumprir exigências curriculares, mas de (re)descobrir a vocação de cuidar das pessoas e de aprender mais detidamente sobre o que é ser um médico de referência”, afirma Blasco.

O professor acrescenta: “Nós ensinamos o estudante de Medicina a desenvolver um olhar mais holístico sobre o paciente, conhecendo não apenas seu histórico completo de saúde, mas detalhes importantes de sua rotina e do envolvimento de seus familiares no processo. No estágio da SOBRAMFA se aprende a importância dos cuidados paliativos, a trabalhar em equipe, fazer visitas domiciliares, utilizar a melhor abordagem para se aproximar dos pacientes, lidar com doenças crônicas, cuidar do paciente que está internado no hospital, e principalmente é possível observar como funciona a rotina de médicos que estão sempre prezando por um atendimento humanizado”.

O braço assistencial da SOBRAMFA realiza cuidados continuados a cerca de 14 mil pacientes dos hospitais IGESP, Santa Cruz, São Cristóvão e 9 de Julho, além de 600 pacientes de flats especializados no atendimento ao idoso. Com todo esse campo de atuação, a Sobramfa Educação Médica & Humanismo é considerada um dos melhores lugares para se fazer estágio em Medicina Humanista. 

 

Fonte: Prof. Dr. Pablo González Blasco, médico humanista e diretor-fundador da SOBRAMFAhttps://sobramfa.com.br/estagio-para-estudantes-de-medicina/

 

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