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SAÚDE - O que pode dar errado nas cirurgias de quadril? Especialista responde

06/06/2018

A articulação do quadril tem um formato de bola e soquete, contribuindo muito para os movimentos de rotação e das pernas. Qualquer lesão nessa junta, bem como nos músculos, ligamentos e tendões de toda essa região, costuma causar dor – às vezes, incapacitante. A dor no quadril geralmente se desenvolve lentamente e é atribuída, em grande parte, à osteoartrite ou a alguma lesão provocada pelo esforço repetitivo – muito comum em atletas. Na opinião do ortopedista Lafayette Lage, especialista em tratamento de dor no quadril, alguns esportes predispõem muito mais os atletas a esse tipo específico de problema. “Toda modalidade esportiva que exija correr, pular e girar, principalmente quando o atleta é profissional e seu rendimento em quadra é proporcional ao sucesso de sua carreira, tem grandes chances de causar uma lesão na articulação do quadril no médio ou longo prazo. Sendo assim, maratonistas e jogadores de futebol, basquete e tênis são alguns exemplos de esportistas que recorrem a tratamentos para atenuar a dor no quadril, inclusive cirúrgicos”.

O problema, segundo o especialista, é que algumas cirurgias apresentam intercorrências que poderiam ser evitadas em muitos casos.  “As estruturas do quadril, por exemplo, são bastante suscetíveis aos efeitos do alcoolismo, com chances aumentadas de haver necrose da cabeça do fêmur. Sendo assim, principalmente quando se vai operar um paciente jovem, é fundamental que o médico estabeleça uma relação de confiança que permita calcular esse tipo de risco. Mas o problema não para por aí. Esses pacientes, mesmo depois da substituição da cabeça do fêmur necrosada por uma prótese, são mais suscetíveis a complicações pós-cirúrgicas. Por isso, além de interromper o consumo de álcool com meses de antecedência, é importante escolher uma modalidade cirúrgica mais segura, como é o caso do Resurfacing – com uso de prótese metal-metal”.

Outro cuidado fundamental pré-cirúrgico, segundo Lage, é visitar um cirurgião-dentista e garantir a total inexistência de qualquer inflamação, infecção ou abcesso dentário. Mas por que uma cirurgia no quadril precisa de um tratamento dentário com antecedência? “A boca é um ecossistema de alta complexidade, com bactérias ‘boas’ e bactérias ‘ruins’ que podem se espalhar pelo sistema sanguíneo – em caso de infecções dentárias. Isso significa, a rigor, que uma infecção bucal pode se transformar numa infecção nas articulações, principalmente depois de uma cirurgia que deixa o paciente muito mais vulnerável. Desta forma, um check-up odontológico é sempre indicado antes de uma cirurgia no quadril – embora nem sempre essa recomendação seja seguida à risca por médicos e pacientes”.

Independentemente da idade, pacientes cardiopatas também têm de passar em consulta com o cardiologista e fazer determinados exames que assegurem ainda mais a cirurgia no quadril. Neste caso, o médico vai avaliar a relação risco/benefício da colocação de uma prótese no quadril em detrimento do quadro cardiológico – incluindo o manejo de medicamentos de uso contínuo. De acordo com o ortopedista, além de um cardiologista, é possível que esse paciente também tenha de se consultar com um pneumologista, um hematologista, um endocrinologista  e outros especialistas para que a cirurgia do quadril – que geralmente é eletiva – não desencadeie complicações. “Aspirina e determinados anti-inflamatórios, por exemplo, têm de ser suspensos com alguma antecedência. Diante da análise de todos os medicamentos de uso contínuo do paciente, o cirurgião ortopedista poderá sugerir que ele entre em contato com outros especialistas para que haja uma modificação antes do procedimento, a fim de manter a saúde geral do paciente sob controle. Vale lembrar que tais modificações são revertidas pouco depois da cirurgia”.

Lafayette Lage, que é um dos pioneiros na cirurgia de Resurfacing (recobrimento da superfície da cabeça do fêmur com uma coroa de metal), diz que foram necessários vários anos e outros tantos ajustes para evitar problemas eventualmente detectados com a implantação dessa prótese muito preservadora do estoque ósseo – que evita que osso saudável seja ‘jogado fora’, como acontece com as próteses convencionais. “Todo novo procedimento cirúrgico tem um período de estudos, de recall. Trata-se de uma fase de correções fundamental pela qual também passou a cirurgia de Resurfacing – que hoje se mostra altamente benéfica para os pacientes, especialmente jovens e atletas. Essa curva de aprendizagem foi importantíssima”.

O médico chama atenção que, embora nem todo ortopedista tenha dominado a técnica necessária para fazer uma cirurgia de Resurfacing – o que o leva, geralmente, a propor uma cirurgia convencional com a colocação de uma prótese total de quadril  – do ponto de vista do paciente ela é muito mais conservadora, reduzindo as chances de complicações pós-operatórias. “É inconcebível, com os conhecimentos que temos hoje, deixar o paciente sofrendo com dor por anos quando a solução é simples. Do ponto de vista do paciente, principalmente quando se trata de um adulto jovem e ativo, é bem melhor preservar a estrutura boa e trocar apenas a parte lesionada da cabeça do fêmur. A prótese de Resurfacing, aliás, permite maior estabilidade e tem mostrado um índice de infecção menor, provavelmente por ser menos invasiva no osso. Tomando todos os cuidados prévios necessários e optando por um tratamento cirúrgico mais conservador, o paciente com dor no quadril tem grandes chances de voltar a se movimentar com segurança e sem complicações”.

 

Fontes: Dr. Lafayette Lage, médico ortopedista, pioneiro em artroscopia do quadril e especialista em cirurgia de Resurfacing (recobrimento da cabeça do fêmur). www.clinicalage.com.br

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3549178/

 

 

 

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